Psicóloga junta terapia com arte e transforma autoconhecimento em quadros
Foto: Arquivo Pessoal
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Psicóloga junta terapia com arte e transforma autoconhecimento em quadros

21/10/2024 • 16:02

A psicóloga e pintora Leandra Rios, ou melhor Duda Rios, como prefere ser chamada, fez uma mistura de arte com psicanálise, em mais de 20 anos de carreira, ela fala como conseguiu conciliar seus quadros com suas pacientes. A psicologia foi escolha do coração que mostrava onde seria o seu lugar, mais a arte nunca deixou de florescer dentro de si.

“Sou psicóloga e isso foi porque segui meu coração que me mostrava que eu deveria estar nesse lugar, talvez por conta dessa ligação que tenho com a arte, e por conseguir resolver tantas questões pessoais resinificando aquilo que eu sentia”.

Com 4 anos no ramo da psicologia, e 20 na pintura, Duda revela que utiliza a arte junto com os atendimentos como autoconhecimento e também uma fonte de renda extra. Conciliando os dois trabalhos ela ainda tem a psicodrama como especialização, que permitiu realizar a arte no território terapêutico.

Segundo Duda, ela sabe o quanto é importante para o profissional da psicologia ter a arte como aliada, pois melhora a auto percepção, valores e a conexão com o todo. Fazendo da arte a religião, “concilio os dois trabalhos, tranquilamente, pois não trabalho mais a partir do momento em que faço o que gosto”.

Pensando em como representar artisticamente seus pacientes resolveu então pinta-las, com um mundo e a imaginação Duda, foi levando arte e cura em cada quadro representando assim cada paciente que foi inspiração para ela.

“O quadro das três mulheres é o resumo dos atendimentos, o quadro da mulher em posição fetal foi inspirado em uma mulher e amiga que sempre compartilhava comigo seus sonhos, suas ideias, mas estava presa em uma crença baseada nos problemas familiares, e eu percebia como isso influenciava em suas escolhas. O medo de decepcionar as pessoas que ama causava uma mistura de esperança e desesperança levando literalmente a um quadro angustiante de confusão e desconexão com ela mesma. Não dá pra retratar todos, mas essa é minha vontade e já pensei em fazer isso, cada cliente ter seu quadro, ou, que elas saibam como eu as vejo, nem que seja como uma imagem abstrata, ou paisagem, mas de uma forma ou de outra, eu utilizo a arte no papel com lápis de cor ou giz de cera, ou até mesmo imaginando como seria a imagem em um quadro que represente aquele período de sua vida. Essa espontaneidade para o atendimento também foi confirmada, através da especialização em psicodrama.” Relata a pintora.

Para o futuro, a psicóloga pretende aumentar a proporção do que mais gosta de fazer, atender e pintar. Com isso, a ideia principal é levar para mais lugares e grupos, criar materiais ilustrativos sobre autoconhecimento.

“Vejo muitos casos de dependência afetiva, e isso é lugar bem difícil de sair, porque é difícil de entender”.

Amiga e parceira

Elizabethe Ribas, neuropsicóloga, psicopedagoga, psicodramatista e terapeuta, fala em como adquiriu um dos quadros de Duda, que conta um pouco como elas se conheceram e Elizabethe virou fã de Duda.

“Quando eu conheci a Leandra foi na época da psicodramatista que somos formadas pela Febrapi. Eu criei um projeto, chamado Projeto Renovare onde nós atendemos o Brasil inteiro, mulheres que não têm condições financeiras, sofrem abusos emocionais de todos os tipos, e violência doméstica. Quando eu comecei a ver as telas da Duda, eu encontrei, primeiro a dor dessas mulheres, ali  retratadas, mas o que mais me chamou atenção, que, para mim, estava retratado uma dor mas também um ressignificação. E ela ia numa sequência das telas reerguendo essas mulheres, até que elas se tornavam literalmente bailarinas coloridas donas de suas vidas. Foi quando eu decidi que eu gostaria de ter a coleção dela toda, e sempre digo para ela o que você pintar nessa linha, a gente vai colocar, por quê?  Porque é o Renascer. E tudo o que Leandra pinta, ela coloca sentimento, a dor, mas ela coloca sempre a luz, o colorido, e sempre o, eu vou vir de uma “treva” entre aspas né, eu vou vir para a luz. Tem outras obras dela aqui na clínica Renovare, e como aqui é uma clínica de saúde mental, ela traz muita informação. E o que se pede para ela apitar, eu não sei se ela já mostrou, é quem dá a patente toda, as instruções de conhecimento para psicodramatista é Jacob Levy Moreno, e um dia eu falei para ela pintar por favor, tenta a cadeira de Moreno e ela não só reproduziu a cadeira vermelha de Moreno como ela reproduziu o próprio,  e que a gente tem aqui também o próprio leão de Judá, e coloca muito bem na pintura,  a luz e a sombra, então sem dúvida alguma, é uma artista plástica que eu respeito muito, e que com certeza vai estar na vida da clínica Renovare e ainda enquanto artista plástica enquanto psicóloga se depender de mim para sempre.” Finaliza Elizabethe, amiga e apreciadora da arte de Leandra.