Servidora Pública acusada de injúria racial contra advogada em show é exonerada do cargo
A servidora pública Suzy Meire Velasque, 49 anos, foi exonerada do cargo, conforme publicação do Diário Oficial de Ribas do Rio Pardo, desta quarta-feira (6). A decisão foi dada dois dias depois de Suzy ter sido apontada por cometer injúria racial contra uma advogada, durante um show em Campo Grande.
A exoneração da servidora, que era contratada e estava lotada na Secretaria Municipal de Assistência Social, saiu no diário Oficial de Ribas do Rio Pardo com a data de terça-feira (5), assinada pelo Prefeito João Alfredo Danieze. Suzy Meire era contratada como agente de proteção social, com contrato que foi vigente de 7 de junho de 2023 e iria até 6 de junho de 2024, com salário de R$ 1.716,54.
Anteriormente, Suzy Meire já havia sido contratada pela prefeitura em 2022, quando trabalho de outubro a dezembro, como auxiliar de educação infantil, com salário de R$ 1.234,20.
A demissão publicada hoje (6), acontece dias depois do incidente ocorrido na madrugada de domingo (3). A advogada Juliana Aparecida Silva de Souza registrou boletim de ocorrência na segunda-feira (4), alegando ter sido vítima de injúria racial.
A advogada, vítima da injúria, Juliana Silva, comentou o caso nas redes sociais. “Tive a notícia que a agressora racista foi exonerada do cargo que ela tinha lá na Prefeitura de Ribas do Rio Pardo. A partir disso eu já considero um avanço incrível para a Justiça começar a ser feita… Racistas não passarão e devem ser punidos”, disse.
No boletim, consta que Suzy Meire teria empurrado Juliana, que pediu para não ser tocada. Em resposta, a mulher teria gesticulado com as mãos no antebraço, para falar da cor de Juliana, com os dizeres: “Olha para você, guria, se enxerga”. Segundo o boletim de ocorrência, a cena se repetiu outras duas vezes.
O grupo de amigos de Juliana presenciou o ocorrido e chegou a chamar os seguranças do evento, no entanto, Suzy Meire foi embora.
De acordo com o site Campo Grande News, teve tentativa de contato com a então servidora, que negou que tenha feito algum comentário racista e que não sabia do registro do boletim de ocorrência. Novo contato foi feito hoje para que pudesse falar sobre a exoneração, mas ela não respondeu.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais. Até esta quarta-feira, o vídeo publicado pela advogada somava mais de 340 mil visualizações e 630 comentários.

Servidora Pública Suzy Meire Velasque, exonerada hoje (6).
Crime – Desde janeiro deste ano, a partir de uma alteração legislativa, o crime de injúria racial passou a ser equiparado ao de racismo. Isso significa a possibilidade de aplicação de penas maiores àqueles que são responsabilizados por cometerem atos de discriminação em função de cor, raça ou etnia, e o fato de tornar-se imprescritível, podendo ser julgado a qualquer tempo.
Com o novo texto, a pena prevista para o crime de injúria racial – caracterizado quando a motivação é relacionada a raça, cor, etnia ou procedência nacional – que era de um a três anos, passou a ser de dois a cinco anos de reclusão.