Os desafios diários da paternidade solo, e a construção do elo entre pai e filha
Capital

Os desafios diários da paternidade solo, e a construção do elo entre pai e filha

13/08/2023 • 08:00

No Brasil, segundo dados do IBGE indicam um aumento na porcentagem no número de pais solos, em 2005 era de 3,1%, já em 2015 foi para 3,6%. O número ainda é muito menor do que os índices de mães solos que, também subiram, de 25,8 para 26,8 no mesmo período.

Quando o assunto é paternidade solo, é um pouco mais difícil de se encontrar, mas não é impossivel, os pais solos existem, e se esforçam ao máximo para dar aos filhos o melhor cuidado e carinho que eles podem receber. E todos os dias aprender junto com eles.

Nesse dia dos Pais, o servidor público Diego Braga de 40 anos, pai da Manuela de 5 anos, tornou-se pai, antes mesmo dela nascer. “Fui impondo de acordo com as coisas que aconteciam ao nosso redor, sobre a questão da criação dela ficar somente por minha conta, então na minha cabeça eu vinha construindo isso, e quando aconteceu, apenas aconteceu, e eu já estava preparado, e somos nós, um pelo outro”.

Criar uma criança sozinho, não é fácil, seja para o pai ou para a mãe, as dificuldades são as mesmas. Diego, vê que os desafios são diários, ainda mais quando não tem rede de apoio. Mas isso, é só um detalhe, para ele desde que Manuela chegou, e ele se viu pai, sempre deixou fluir, e destaca que nunca foi obrigação, sempre foi amor.

Ao reconhecer a paternidade, independentemente da modalidade, se for pai solteiro, pai casado, pai separado ou pai viúvo, é uma questão de vontade e dedicação. A conexão com os filhos se fortalece e se aprofunda na medida em que a convivência e o cuidado são vividos no dia a dia. Pais e filhos só têm a ganhar sendo mais próximos e envolvidos.

“Eu me orgulho muito do pai que eu sou para a Manuela, do relacionamento de amor e confiança que construí entre nós, sei muito bem das minhas qualidades, sei que tenho defeitos, e não aliso para mim mesmo, mas também não me condeno, sempre tento evoluir, buscando mudar as coisas em que erro mas sempre valorizando tudo que eu já fiz e faço para nossa relação, e como nos mesmos dizemos entre a gente somos grudinhos e somos estranhamente apegados um ao outro, sempre cuidamos um do outro”.

       Foto: Reprodução das redes sociais

Diego, se orgulha de sua trajetória e de tudo que já passou, e ressalta que Manuela mesmo tendo a pouca idade que tem, todos os dias se surpreende com a maturidade que ela tem, e com a compreensão da pequena. E termina declarando que ela é sua melhor companhia, e sabe que é a dela também.

Os termos como mãe solteira e pai solteiro são conhecidos há muito tempo, mas com o avanço das discussões sobre parentalidade, a expressão ficou no passado. Pensando bem, a parentalidade não é um estado civil, não é mesmo? Estamos aprendendo que o que torna um pai ou mãe solo é a condição de ser inteiramente responsável pelos filhos. O que não tem relação com o estado civil.

Então, qual é a forma correta de se referir a um pai que cria os filhos sozinho? A maioria ainda fala em pai solteiro, outros preferem pai solo. Não há uma forma errada, o importante é compreender quando um rótulo deixa de fazer sentido e tentar desconstruir o costume. Na dúvida, pai é pai.